Bem-vindo viajantes

Bem-vindo viajantes! Esse blog tem como objetivo tornar público algumas questões, reflexões e vivências que tenho tido, daí o nome "Viagens de Paulo Pom". As postagens e discussões desse espaço envolverão os seguintes temas: meio ambiente, sustentabilidade, ciclismo e cicloturismo, montanhismo e vivência ao ar livre. Mas viagens por outros mundos também serão feitas...

domingo, 25 de novembro de 2012

BRASÍLIA E SUAS BICICLETAS


A minha pesquisa de mestrado me levou algumas vezes para ao centro do poder político do país: Brasília. 

Quando dava um tempo na busca de dados da pesquisa, eu procurava por bicicletas. 

Nas fotos abaixo, um pára ciclo situado no prédio principal da Câmara dos Deputados, próximo da entrada de autoridades.



A seguir, outro pára ciclo (num dos prédios anexos do Congresso Nacional):

Bicicletário em BSB
Fora isso, não vi muitos ciclistas se deslocando pela Capital Federal, motivo pelo qual decidi buscar informações que esclarecessem essa situação.

Na foto acima, o ciclista e estudante precisou lançar mão
do terno e gravata para circular pelos corredores do Congresso.

Primeiro descobri algo triste: em jul./2012, o Judiciário de BSB condenou um motorista que, em 2006, atropelou e matou o ciclista Pedro Davison.

O imprudente deverá pagar uma indenização de R$ 150 mil por danos morais a família do ciclista e mais uma pensão de R$ 970,00 à  filha de 13 anos, até ela completar 25. E na esfera criminal, o motorista pegou 6 anos de prisão, mas recorre em liberdade (mais informações clique aqui).



A verdade é que, como circulei pelo Plano Piloto vi poucas bicicletas em Brasília.



As avenidas grandes e rápidas não são seguras para os pedalantes e priorizam os carros.



Então, poderíamos afirmar que as bicicletas são raras em BSB? A resposta é NÃO.


Phillip James é ciclista em BSB e me contou por e-mail que os usuários de bicicleta da região centrão (Plano Piloto) preferem se deslocar entre as quadras, evitando ruas e avenidas.
Semana do Dia Mundial sem Carro (22/9) no Distrito Federal
Foto de Uirá Lourenço (www.rodasdapaz.org.br)
Uirá Lourenço também usa a bicicleta como meio de transporte em BSB, junto com seus filhos de 3 e 4 anos (a família não tem carro por opção); ele é bike anjo e membro da associação "Rodas da Paz". Ele me informou que as cidades-satélites de BSB (Paranoá, Estrutural e Ceilândia) possuem um movimento interessante de ciclistas, como se vê na foto acima e todas abaixo, que ele gentilmente cedeu para o blog.


Semana do Dia Mundial sem Carro (22/9) no Distrito Federal
Foto de Uirá Lourenço (www.rodasdapaz.org.br)
Semana do Dia Mundial sem Carro (22/9) no Distrito Federal
Foto de Uirá Lourenço (www.rodasdapaz.org.br)

Phillip criticou as "ciclovias" do Distrito Federal, construídas sem planejamento urbanístico e sob calçadas, obrigando os pedestres a caminharem pelas ciclovias. Além disso, não há investimento em educação no trânsito e, com isso, se antes os motoristas mandavam os ciclistas para as calçadas e hoje em dia eles gritam: "vai pra ciclovia".

Semana do Dia Mundial sem Carro (22/9) no Distrito Federal
Foto de Uirá Lourenço (www.rodasdapaz.org.br)
Para Phillip, as ciclovias são feitas pelos políticos para "calar a população". Ela me contou que em sua viajem de bicicleta de BSB para a Rio+20 percebeu essa lógica em várias cidades. Isso porque ele não passou por S. Paulo e não viu as nossas "ciclofaixas" de domingo...

Semana do Dia Mundial sem Carro (22/9) no Distrito Federal
Foto de Uirá Lourenço (www.rodasdapaz.org.br)

Semana do Dia Mundial sem Carro (22/9) no Distrito Federal
Foto de Uirá Lourenço (www.rodasdapaz.org.br)
Uirá destacou que em BSB existe uma mudança gradual de comportamento, mesmo na região central, onde cada vez mais pessoas optam pela bicicleta.

Semana do Dia Mundial sem Carro (22/9) no Distrito Federal
Foto de Uirá Lourenço (www.rodasdapaz.org.br)
Uirá mencionou que o relevo plano e o período longo de estiagem contribuem para o uso da bicicleta em BSB...

Semana do Dia Mundial sem Carro (22/9) no Distrito Federal
Foto de Uirá Lourenço (www.rodasdapaz.org.br)
... mas as longas distâncias e "contexto rodoviarista" dificultam a massificação da cultura de bicicleta.

Semana do Dia Mundial sem Carro (22/9) no Distrito Federal
Foto de Uirá Lourenço (www.rodasdapaz.org.br)
Uirá me disse que é preciso uma "mudança cultural" em BSB: "alguns admiram nosso estilo de vida...

Semana do Dia Mundial sem Carro (22/9) no Distrito Federal
Foto de Uirá Lourenço (www.rodasdapaz.org.br)
...mas muitas pessoas ainda nos veem como estranhos por usarmos bicicleta e não termos carro".
Semana do Dia Mundial sem Carro (22/9) no Distrito Federal
Foto de Uirá Lourenço (www.rodasdapaz.org.br)
Portanto, não há mais dúvidas: as bicicletas existem em abundância em BSB. E para terminar, encerro com mais uma foto gentilmente cedida por Uirá Lourenço do "ciclocatador" que mora na região central de BSB e chega carregar 80 kg de latinha:

O 'ciclocatador' de Brasília
Foto de Uirá Lourenço (www.rodasdapaz.org.br)
Ele mesmo montou a bicicleta e todo o aparato que usa. 

Agradeço aos amigos ciclistas de BSB que gentilmente compartilharam fotos e informações: 

- Phillipis James - página no Facebook "Sistema Cicloviário - Além das Ciclovias"

- Uirá Lourenço - www.rodasdapaz.org.br - "É pedalando que a gente se entende"

sábado, 17 de novembro de 2012

MAIS CARROS: MAIS POLUIÇÃO, MAIS ATRASOS, MAIS CAOS.

Interessante matéria do jornal "Diário de S. Paulo" (23/fev./2012, p. 3) apontou que boa parte dos automóveis na cidade de S. Paulo continuam poluindo mesmo após sua aposentadoria. 

Isso porque nem metade dos carros abandonados pelas ruas é recolhida.

Foto publicada no Diário de S. Paulo, de 23/fev.2012, p. 3,
atribuída a Edilson Dantas/Diário SP
Os números da frota de automóveis na cidade de S. Paulo impressionam:

7 MILHÕES DE VEÍCULOS
(exatos 7.222.769 até mar/2012)

1.000 CARROS NOVOS EMPLACADOS POR DIA


Segundo o jornal, se todos os carros paulistanos fossem enfileirados, daria para traçar uma reta de 40 mil km, o suficiente para dar a volta ao planeta. 


O jornal "O Estado de S. Paulo" (21/mar/2012, p. C3, matéria de Rodrigo Brancatelli) citou uma  pesquisa feita pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), que aponta uma consequência dessa frota absurda: cerca de 25% (1/4) de toda a área construída no município de São Paulo é usadas para garagens.



O jornal "Folha de S. Paulo" (12/ago./2012, reportagem de Vanessa Correa) divulgou números ainda mais impressionantes: em horários de pico, automóveis particulares na cidade de SP tomam quase todo o espaço público das ruas, sem transportar 1/3 dos paulistanos que se deslocam sobre rodas. Veja só:

- 78% das principais vias são preenchidas por automóveis, que transportam só 28% das pessoas que se deslocam sobre rodas;

- 8% das principais vias são preenchidas por ônibus de linhas e fretados, que levam 68% das pessoas que se deslocam sobre rodas. 

Infelizmente, esses dois tipos de veículos disputam, quase sempre, o mesmo espaço.

O quadro abaixo, publicado na matéria da Folha, traz um retrato do trânsito de SP no horário de pico (clique no quadro para ampliar):
Média da contagem de circulação ao longo 
de uma extensão de 255 km e 32 rotas principais da cidade 
(em algumas, corredores de ônibus). Depois, 
os veículos foram dispostos de acordo com o padrão 
dos engenheiros de trânsito (1 ônibus = 2 carros = 4 motos).
(Editoria de Arte/Folhapress)


Além da baixa velocidade e da lotação exagerada nos ônibus, existe outro problema que foi apontado por Thiago Guimarães, especialista em mobilidade e professor da Universidade Técnica de Hamburgo (Alemanha), citado pela Folha: "São Paulo tem classes média e alta elitizadas que acham que ônibus não é para elas. Que é coisa de ralé".

Mas e a bicicleta nesse cenário? As matérias citadas nada mencionaram sobre a magrela, que também é "coisa de ralé", afinal já me perguntaram: "Paulo, você anda de bicicleta em SP porque não tem dinheiro para comprar um carro?" Eu nem respondi...

Foto publicada numa edição do jornal "O Estado de S. Paulo"
Agora vou mostrar dados que provam o descaso da gestão Kassab na Prefeitura de S. Paulo ao encarar a bicicleta como meio de transporte. Vejam na tabela abaixo o orçamento previsto de 2012 para algumas ações relacionadas à bicicleta e o que foi empenhado (valores em R$):

Data da última atualização: 12/11/2012
Orçado
Empenhado
Liquidado
Construção de Pista de Cooper. Caminhada e Ciclovia na Estrada Turística do Jaraguá
1.000,00
0,00
0,00
Implantação de Ciclovias e Ciclofaixas
3.000.000,00
600.000,00
516.889,16
  Implantação de Ciclovia na Av. Aricanduva. da Radial Leste à Av. Afonso Sampaio Vidal prosseguindo até a entrada do Pq. do Carmo
1.000,00
0,00
0,00
  Implantação de Ciclovias e Ciclofaixas
1.000.000,00
199.498,62
199.498,62
Projeto Passeio Ciclístico Mirna Leandro de Castro - a ser realizado no Cambuci
25.000,00
0,00
0,00

FONTE: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/planejamento/

Clique em ORÇAMENTO, depois SELECIONAR VARIÁVEL, depois em ANO, selecione 2012; em ORGÃO, selecione TODOS; procure PROJETO/ATIVIDADE e selecione TODOS e finalmente CONSULTAR ou GERAR TABELA..


Vejam que NADA foi empenhado para os projetos de ciclovias na Estrada Turística do Pq. do Jaraguá e na Av. Aricanduva, apesar de R$ 1.000,00, na minha visão, serem insuficientes. 

NADA para um simples passeio ciclístico no bairro do Cambuci, apesar de haver um orçamento de R$ 25.000,00.

Nos projetos gerais de implantação de ciclovias/ciclofaixas (R$ 3 milhões para um projeto e R$ 1 milhão para outro), empenhou-se muito menos do previsto. E o empenhado parece que só foi para ciclofaixas de lazer, que não prestam para meio de transporte.



É para lamentar e protestar? Sim. Mas eu não fico admirado com isso, afinal essa gestão da prefeitura sempre foi elitista. Felizmente está indo embora. Esperamos novos horizontes a partir de 2013.



Fontes:
- "O Estado de S. Paulo", de 21/mar/2012, p. C3, de Rodrigo Brancatelli;
- Diário de S. Paulo", de 23/fev./2012, p. 3

sábado, 10 de novembro de 2012

CALOI 10 SPRINT. MAS QUE ANO?


Muitos leitores, apreciadores de bicicletas antigas, têm me enviado fotos e histórias de suas clássicas para serem contadas nesse blog. São várias preciosidades que estão na fila e aos poucos eu vou inserindo. Aos colaboradores, a quem sou muito grato, peço paciência.

A bicicleta antiga desse mês de novembro/2012 é essa belíssima CALOI SPRINT 10, pertencente a José Carlos Brondani, de Santa Maria/RS. 

José Carlos tem esse bicicleta há 23 anos e a adquiriu de outra pessoa em sua própria cidade. A pintura é original, assim como todas as peças, com exceção dos pedais que precisaram ser trocados.  


Nosso amigo quer saber qual ano aproximado dessa bicicleta. Segundo o leitor Airton, todas as bicicletas da marca Caloi 10 possuem o mês e ano de fabricação gravado na parte de trás do manete de freio auxiliar. 

Além desse macete, resolvi ir atrás de informações e encontrei um ótimo histórico dos modelos de Caloi 10 no blog "Oficina das Clássicas", que vou resumir a seguir (no site, informado no final, tem muito mais detalhes):

Caloi 10 Standart (1972/1990) - com peças importadas até 1983; depois, até o modelo de  1990, a qualidade da bicicleta era muito inferior àqueles dos anos 1970 e começo de 1980.

Caloi DEZ (1974/1975) - o decalque do quadro vinha com a escrita "DEZ" (deve ser um modelo raríssimo hoje em dia).

Caloi Sportíssima (1976/1978) - com peças melhores do que o modelo 'standart', custava o dobro.

Caloi 18 Titanium (1978/1979) - utilizadas pela equipe Caloi na época.

Caloi Sprint (1979/1988) - modelo mais básico e barato da Caloi 10 lançado para conter avanço das Monark 10.

Caloi 10 Racer (1978/1979) - rara versão.

Caloi 10 Profissional (1978) - usado pela equipe Caloi.

Caloi 15 (1978/1979) - mesmas peças da Caloi 10, mas com o pé de vela triplo. 

Caloi Sprint RT - modelo dos anos 80 já toda nacionalizada, com câmbios Dimosil nacionais.

Caloi 10 Concorde (1988) - toda nacional e com pedais de plástico. 

Caloi 10 Triathlon (1985) - bicicleta importada produzida pela SunTour japonesa, apenas recebia os adesivos Caloi no Brasil.

Caloi 12 (1989/1995) - modelo de despedida dessa bicicleta, último estágio evolutivo dos quadros de aço da marca Caloi; tinha ótimos componentes.

Caloi 12 Super Italy (1995/1997) - com quadro e garfo da marca Gipimemme Italy, que rivalizava com a Campagnolo; uma bicicleta semi profissional que apenas recebia o nome Caloi no quadro. 

Caloi Villa (1992/1994) - bicicleta pouco conhecida, com guidão reto, sendo uma híbrida.   

Caloi Eddy Merckx (anos 1990) - feita pela empresa belga Eddy Merckx, que se associou a Caloi; era uma bicicleta de corrida. 



Voltando à bicicleta do leitor José Carlos, o histórico acima indica que ela deve ter sido fabricada no início dos anos 1980. Alguém mais ajuda?

Na foto acima, percebe-se o clássico sistema de trocas de marchas da Caloi 10, que marcou uma época.


Na foto acima, percebe-se o antigo sistema de freio traseiro. 

Eu me recordo que quando eu pedalava com minha antiga Caloi 10 (hoje restaurada) na chuva, eu ela ficava sem freio... era uma aventura!!

Agradeço muito ao José Carlos Brondani pelas fotos e pela autorização de publicação e quem quiser contatá-lo, pode escrever para: jcbrondani@gmail.com

E se você quiser ver a sua antiga nesse blog, me escreva: paulorobertopom@gmail.com


Fonte: 

Blog Oficina das Clássicas:

Veja mais:

Caloi 10, mas que ano?

Restauração da minha Caloi 10 - 1975

Caloi 10 Sportíssima 1976

Linda Caloi 15

Caloi Ceci

Caloi Ceci - restauração