Bem-vindo viajantes

Bem-vindo viajantes! Esse blog tem como objetivo tornar público algumas questões, reflexões e vivências que tenho tido, daí o nome "Viagens de Paulo Pom". As postagens e discussões desse espaço envolverão os seguintes temas: meio ambiente, sustentabilidade, ciclismo e cicloturismo, montanhismo e vivência ao ar livre. Mas viagens por outros mundos também serão feitas...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

BICICLETA ANTIGA - CALOI 10 - 1975

Olhe as fotos abaixo e responda rápido: são as mesmas bicicletas?

Se respondeu "sim", acertou... mas "não" também seria correto, afinal estão bem diferentes. Na verdade, as fotos mostram a mesma bicicleta, uma Caloi 10, 1975 (ano estimado), antes e depois de uma restauração.

Vou fazer uma rápida viagem pelo tempo e contar um pouco da história dessa minha Caloi 10.


A Caloi 10 foi lançada no Brasil em 1972. Era a primeira bicicleta com 10 marchas, considerada esportiva, com guidão rebaixado e inspirada naquelas de competição de estrada. Durante muitos anos, foi o grande sonho de consumo de qualquer garoto. Depois disso, os modelos "mountain bike" foram ganhando a preferência do público.

Por volta de 1975, meu primo Luizinho ganhou de presente uma Caloi 10, cor prata. Não sei bem o quanto e como ele utilizou essa bicicleta, mas ele me contou que num determinado dia resolveu pintá-la de vermelho. 


Com o passar do tempo, a bicicleta foi ficando encostada na casa do meu primo.

Em 1986, aproximadamente, meu amigo Fernando (vulgo Prancha) ganhou de presente uma Caloi 10, novinha, de cor preta. Foi uma sensação entre a turma, até porque o irmão do Prancha já tinha uma bela Caloi 10 totalmente branca.

Os passeios de bicicleta começaram a ficar comuns entre os amigos do bairro. Como eu não tinha bicicleta, meu pai resolveu resgatar a encostada Caloi 10 vermelha do primo Luizinho, enviou-a para uma bicicletaria e me deu de presente. Lembro-me que foi uma grande alegria, certamente algo que reflete até hoje na minha vida. Foi o início do envolvimento profundo que, nos dias atuais, tenho com esse meio de transporte.




A velha "Caloi 10/vermelha" voltou a ganhar as ruas! Pedalei muito com ela pelo bairro, subi e desci muita guia, andei em  vias de paralelepípedos, a utilizei nas "trilhas" do bosque atrás do Museu do Ipiranga, onde eu e meus amigos brincávamos de polícia e ladrão com as bicicletas.

Um dia, a corrente da bicicleta caiu e enroscou entre as coroas. Fiquei parado na calçada, como se fosse um barco à deriva, mas um guri suspeito, aproveitando-se dessa situação, se aproximou de mim. Meu amigo (Luis "Gemada"), antevendo os acontecimentos, pedalou forte e me deixou sozinho naquela roubada (literalmente uma roubada!!). O guri apontou um revolver antigo para mim e tentou tomar a "Caloi 10/vermelha". Eu não permiti  e rapidamente toquei a campainha da casa que estava à minha frente (por coincidência, morava ali a família Pagliuso, que era amiga da minha). Tomei uma coronhada do guri, mas mesmo assim não deixei que ele levasse a bicicleta. Quando a dona da casa saiu, eu estava todo ensanguentado, segurando firme a bicicleta, e o guri "picou a mula", tal como meu amigo tinha feito anteriormente. Hoje vejo que foi uma atitude estúpida, mas a bicicleta continuou comigo.  
  
Depois disso, usei muito a Caloi 10 aos domingos para me transportar do Ipiranga até o bairro do Planalto Paulista, onde eram feitas as reuniões do grupo de escoteiros que eu participava.

A velha "Caloi 10/vermelha" aguentou firme todas essas peripércias e sofreu poucos danos, porém marcantes, como desgaste total do arrolamento dianteiro e rachadura no garfo.

Em 1995, foi seduzido pelos modelos "mountain bike" e acabei comprando, na antiga loja do Mappin da Praça Ramos, uma Monark. A "Caloi 10/vermelha", coitada, foi ficando encostada, ao ponto de meu pai sugerir que ela fosse doada para o catador-de-bugigangas. Todavia, rejeitei veementemente essa proposta.

Nos anos 2000, já havia adquirido o hábito de me transportar por intermédio de bicicletas. Em 2004 fiz a minha primeira viagem de bici e, aos poucos, fui retomando aquele olhar apaixonado pela velha "Caloi 10/ vermelha", apesar de toda poeira que lhe cobria.

Com o tempo, fui descobrindo o mundo das bicicletas antigas e daí decidi que a "Caloi 10/vermelha" merecia voltar aos seus tempos de glória.

Por intermédio da internet, fiz contato com Cláudio Carlquist, autor de um artigo que conta a história da Caloi 10 (http://www.sampabikers.com.br/?ver=caloi10/historia.html). Ele me indicou o Sr. Aldo, que fez um belo trabalho de restauração na minha bicicleta.

O quadro foi pintado com a cor original: prata (foto ao lado).

Algumas peças tiveram que ser trocadas, pois não correspondiam ao modelo original. A foto abaixo mostra a engrenagem dianteira (cambio, pedivela e coroas), totalmente substituída por peças originais usadas, que foram cromadas.


Engrenagem dianteira antes e depois da restauração
Destaque para a foto inferior, com o protetor de
coroas nacional da marca "Duque" 
  
Garrafa original que vinha nas bicicletas Caloi de antigamente

A garrafinha de água (foto acima) e seu respectivo suporte (abaixo) se tornaram raridade nos dias de hoje. Mas tive a sorte de comprar um conjunto zerado no Mercado Livre.

Suporte de garrafa


As bicicletas Caloi de antigamente também vinham com pequenas peças de plástico que fixavam os conduítes no quadro, com a marca da fábrica em alto relevo (foto abaixo). É muito raro encontrar esse item em bom estado, mas consegui comprar um punhado nunca  utilizado no Mercado Livre.

Os fixadores de conduítes da Caloi

Parte frontal: antes de depois da restauração




O pedal que estava na "Caloi 10/vermelha" era de plástico, completamente fora dos padrões originais. Era preciso conseguir um pedal de aço original, da antiga marca Ducor. Mas foi uma tarefa muito difícil, pois todos os pedais a venda no mercado de usados estavam em péssimo estado. No entanto, como mágica, apareceu um anúncio no Mercado Livre vendendo um par de pedais de Caloi 10 que jamais haviam sido usados (foto acima). O detalhe é que os pedais vieram numa caixa antiga (ver foto abaixo). 

Caixa original onde vieram os pedais novos: item raro para exposição

A plaqueta dianteira com a marca Caloi deu um charme especial à minha Caloi 10 (foto abaixo). Em verdade, esse foi um item que esteve presente em poucas bicicletas, pois a maioria das Calois vinham com um adesivo frontal colado ao quadro. Portanto, é extremamente raro encontrar essa plaqueta, só mesmo com muita sorte pude conseguir no Mercado Livre.



A cobiçada plaqueta da Caloi

Sobre os câmbios, vejam as fotos a seguir:

Antes e depois da restauração: O cambio traseiro foi trocado,
pois não era original. Consegui comprar um antigo câmbio japonês Suntur,
 que equipou, durante anos,  a Caloi 10


O câmbio dianteiro da marca Dimosil não foi trocado,
só passou por um processo de cromagem. 

Hoje em dia, não brinco mais de polícia e ladrão com a minha Caloi  10 (rs); nem subo e desço guias... eu a utilizo somente para breves passeios aos domingos, aqui perto no Parque da Independência, em São Paulo, tal como fazem alguns tiozinhos que desfilam por aí com seus automóveis antigos. A idéia é que ela se mantenha bela durante várias décadas.

Vamos ver, quem sabe ela não aparece em alguma exposição.
 


CÓDIGO FLORESTAL DO AGRONEGÓCIO

Um dos temas desse blog é meio ambiente e o assunto do momento é o Código Florestal Brasileiro, que está passando por um processo de desmonte, impulsionado por poderosos interesses ruralistas e, em especial, do agronegócio.

Quem quiser entender um pouco do que está acontecendo, sugiro esse vídeo:



A revista Aventura&Ação desse mês traz uma série de matérias interessantes para o aventureiro (como Nova Zelândia, Petar, expedição no Amapá, cicloviagem pela Estrada do Céu, mergulho em Abrolhos, o acidente do montanhista Bernardo Collares, Estrada Real, entrevista com Renata Falzoni etc). No meio de tanta coisa bacana, a referida publicação não esqueceu do problema do Código Florestal e me deu oportunidade de escrever um artigo, que recebeu o título de "O Código Florestal do Agronegócio". Para quem tiver interesse e não puder comprar a revista, disponibilizo o artigo digitalizado:








O processo de desmonte do Código Florestal é mais um golpe que, a longo prazo, visa a deterioração da política nacional de meio ambiente. Podemos citar como exemplo, outras questões: (i) a MP da Grilagem (458/09), convertida na Lei Federal 11.952/09, que legalizou o festival da grilagem na Amazônia e incentiva a concentração fundiária (também escrevi sobre isso em outra edição da Aventura&Ação); (ii) o Código (Anti) Ambiental do Estado de Sta. Catarina, que contraria, de forma inconstitucional, o Código Florestal Brasileiro (tema que abordei em outra edição da Aventura&Ação); (iii) o decreto presidencial que colocou em risco o patrimônio espeleológico para favorecer a mineração e hidrelétricas; (iv) a estipulação de um irrisório teto de 0,5% do valor da obra para compensação ambiental de grandes empreendimentos.

Mais informações sobre a Aventura&Ação: 


AINDA SOBRE O ACIDENTE DE BICI...

Pessoal, agradeço, de coração, a todos que me mandaram e-mails, postagens e me telefonaram para saber como eu estava após o acidente de bici que sofri com um ônibus no dia 15/Fev.

Agradeço em especial Regiane, Fabio Dellore, Renata, Regis Rossi, Paulo Castagna, Evelyn, Zé Carlos, JP, Roberto Lima, Gabriel, Germano, Tati que postaram mensagens nesse blog me dando força.

Felizmente estou bem, fui no médico e ele me tranqüilizou. Só me pediu alguns exames porque eu insisti, mas ainda não fiz.

 Essa foto, tirada de um vaso meu, é para lembrar o gesto 
proposto pela Bicicletada: flores para pedir PAZ no trânsito 

Comprei um capacete novo (é roubada andar com capacete rachado) e demorei um pouco para voltar a pedalar.

Mas confesso que até hoje sinto um gelo quando passo perto de um ônibus.

De qualquer forma, a esperança é que a PAZ prevaleça nas ruas de nossas grandes cidades.